
uma curta metragem
o projecto
O Cego Nwavu é uma curta metragem de animação em fase de desenvolvimento. É um filme que propõe combinar um conto adaptado da tradição oral moçambicana com a estética visual do Batik, que é uma das expressões mais icónicas da nossa cultura. A animação surge neste caso como um meio privilegiado para dar uma nova vida a estes contos em risco de extinção.
Esta história conduz-nos através da jornada de um velho cego que deseja casar com uma jovem e curiosa rapariga. Ele terá que enfrentar a comunidade, a natureza e poderosos espíritos. Desde um Curandeiro que vive dentro de um Embondeiro, até uma aldeia habitada exclusivamente por mulheres, ele vai aprender que as suas escolhas podem-lhe trazer mais do que aquilo que ele esperava.
O processo por detrás da realização deste filme de animação é experimental. Toda a estética está a ser desenvolvida em colaboração com artesãos locais. Serão criados Batiks de todas as Personagens e Fundos e, só depois, serão digitalizados, estruturados e animados com recurso a ferramentas digitais.
o desejo
secreto
de nwavu.
o enredo
O filme começa com o desejo secreto de Nwavu, o cego, que quer casar com uma jovem mulher e decide consultar o Curandeiro para obter ajuda. Eles concebem um plano que não envolve um feitiço, mas sim uma engenhosa vigarice. Nwavu leva um enorme tacho de barro para a rua e começa a aquecê-lo numa grande fogueira. As pessoas da aldeia ficam curiosas e começam a questionar, o que estará o velho cego a cozinhar? Após tentativas de várias curiosas, é com Djamilah que a artimanha se desenrola. Quando esta abre o tacho, o misterioso cozinhado evapora-se. Nwavu age completamente desesperado pela sua perda, proclamando que a poção que estava a preparar iria curá-lo da sua cegueira.
O caso é levado ao Curandeiro, que sentencia Djamilah a pagar com seis cabritos, três galinhas e uma vaca leiteira pelas suas más acções. Ela não consegue pagar. Ao ver o seu desespero, num acto de “misericórdia”, Nwavu propõe a Djamilah que se case com ele em pagamento pela sua dívida. O plano de Nwavu parecia correr na perfeição. Mal sabia ele que, em breve, a curiosidade de Djamilah levá-los-ia aos mais inesperados e bizarros eventos.

decidimo-nos por
esta abordagem “analógica”
nesta fase.
processo
Estamos a desenvolver um processo incomum e experimental. Todo o universo, desde as personagens aos cenários e objectos, serão produzidos em Batiks reais feitos à mão. Este lado físico vai-nos permitir ter as texturas orgânicas e a profundidade de cor da cera quebrada. Apesar de apresentar dificuldades acrescidas, decidimo-nos por esta abordagem “analógica” nesta fase, de modo a obter-se um grau de autenticidade que, de outra maneira, não conseguiríamos se tentássemos “falsificar” o efeito em digital. (ver o vídeo abaixo para melhor compreender o processo de criação do Batik).
A banda sonora, as gravações de vozes e Foley serão dirigidas por Pedro da Silva Pinto. Em colaboração com outros músicos moçambicanos, ele será responsável por criar uma paisagem sonora para o filme, combinando sons ambiente com uma ténue presença de instrumentos tradicionais moçambicanos, como a Xigovia e a Mbira (ver o vídeo abaixo dos testes de animação para ter uma ideia do aspecto visual e sonoro pretendido)
“o cego nwavu
foi seleccionado
como um de dois
vencedores
na categoria
de animação.”
Vencedores do DLA Pitch Competition
A Digital Lab Africa (DLA) é a primeira plataforma dedicada a conteúdo criativo (criação web, realidade virtual, videojogos, animação, música digital) conectada à inovação em África. A ideia por detrás da DLA é incubar talentos criativos emergentes ao oferecer-lhes uma prancha de lançamento para impulsionar e acelerar os seus projectos com o apoio e experiência dos parceiros e do ecossistema DLA (estúdios, eventos, produtores, emissores, distribuidores, especialistas…).
De entre mais de 730 candidaturas, 10 criativos destacaram-se pelo seu talento, a sua criatividade e a sua habilidade em defender as suas ideias. Os 10 vencedores, 2 em cada categoria, recebem um prémio monetário de 3.000 euros e um programa de incubação criado à medida para acelerar o desenvolvimento do seu projecto.
O financiamento da DLA permitiu ao realizador João Graça participar na edição 2018 do Annecy International Animation Film Festival e no MIFA Animation Film Market. Também através do DLA, conheceu o mentor do programa Ivan Zuber (Laidak Films) que organizou com Corinne Destombes (directora de desenvolvimento na Folimage) uma residência artística de 3 semanas no estúdio de animação da Folimage em Bourg-lès-Valence, France, onde, com a preciosa contribuição do animador Christophe Gautry, começou a desenvolver os primeiros testes de animação do projecto.
sobre a anima
A ANIMA é um estúdio criativo Moçambicano, sediado em Maputo. O nosso objectivo é comunicar de uma forma simples e directa. Gostamos de desafios e procuramos criar algo diferente e inovador. A equipa multidisciplinar da ANIMA é especializada em três áreas complementares: Audiovisuais, Design e Digital Media. No nosso processo criativo, articulamo-nos nestas áreas de forma a obter uma comunicação coerente.
As nossas áreas chave de actuação são o Desenvolvimento Social e as Indústrias Culturais. Investimos na compreensão das audiências locais e da identidade socio-cultural. As dinâmicas e diversidade do contexto local inspiram-nos. Temos experiência de trabalho em todas as províncias de Moçambique e em vários países africanos.
sobre o realizador
João Graça (1979) é um realizador, director de fotografia e editor moçambicano. Trabalhou em vários projectos de cinema, incluindo o documentário de longa metragem, Maputo: Etnografia de uma Cidade Dividida. Os seus interesses sempre andaram em torno do Desenvolvimento Social e da Arte. Leccionou Design e Cinema em Moçambique e está comprometido em encorajar e desenvolver a produção de cinema em Moçambique.
João licenciou-se em Design de Comunicação e tem um Mestrado em Arte Multimédia pela Escola de Belas Artes de Lisboa. É um dos membros fundadores da ANIMA Estúdio Criativo, sediado em Maputo, Moçambique.
Agradecimentos especiais



